LARGO DA ORDEM: O CORAÇÃO DE CURITIBA

O conjunto histórico de Curitiba é considerável, pelo fato de ela ter mais de 300 anos num continente tão novo. Grande parte deste conjunto está numa região só, delimitada como Setor Histórico. Desde o século XVIII, ali foi palco de intenso comércio dos colonos, que vinham da periferia nas suas carroças com produtos hortifrutigranjeiros para vender, e também faziam compras nas casas comerciais da época. Essa movimentação propiciou o surgimento de núcleos culturais e estabelecimentos de arquitetura representativa. Desde a casa colonial mais antiga conservada até a monumental construção em estilo neoclássico. Das origens portuguesas do calçamento até a mesquita islâmica, ou ainda seus restaurantes étnicos e regionais.

Hoje conhecida como Largo da Ordem, a região ainda possui a pavimentação original em paralelepípedos, assim como o tino comercial e o título de “corredor cultural”. Daqueles tempos até hoje, existe uma efervescência artística e intelectual que é o maior elo entre a cultura popular e a cultura erudita. Vitrine desta expressão cultural é a Feira de Arte e Artesanato, que acontece todo domingo.

Pode-se dizer que há um cuidado com o lugar, seja a partir de um plano de urbanismo para preservar casarões dos séculos XVIII e XIX, seja pela melhoria da acessibilidade de pedestres ao núcleo central. Ou ainda, pela legislação especial de proteção e a restauração das antigas construções, hoje adaptadas para atividades culturais ou para restaurantes, pubs e mini-shoppings. Sendo importante ponto turístico, possui segurança reforçada por câmeras devido à movimentação. Galerias de arte, sebos, monumentos, bares, teatros, exposições e artesanato dividem o mesmo espaço. Tanta facilidade, somada ao ar boêmio, faz o Largo da Ordem ser marcante, no passado e no presente, para todo tipo de encontro. Conheça os lugares que não podem deixar de ser visitados.

Subindo a Ladeira…

Conhecer o Setor Histórico exige fôlego. Partimos da confluência das ruas Barão do Serro Azul e São Francisco, no Centro, onde está o monumento erguido em homenagem a Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, padroeira de Curitiba. A imagem esculpida em bronze, mede 2 metros e meio, pesa 650 quilos e está num pedestal cilíndrico de 10 metros de altura. Próxima ao marco zero na Praça Tiradentes, esta é a quarta imagem da padroeira existente na cidade. As outras também estão no Centro Histórico e adjacências, no Museu Paranaense (estátua em barro cozido), no Museu de Arte Sacra, na Catedral da praça do marco zero (estátua em cedro do Mar Báltico) e no Memorial de Curitiba.  Saindo deste monumento em direção à Rua São Francisco, um olhar inicial acusa uma longa subida: esse é o caminho.

 

BEBEDOURO

Bebedouro

O nome oficial desde 1917 é Largo Coronel Enéas, em homenagem ao coronel Benedito Enéas de Paula. Já chamou, também, “Páteo de Nossa Senhora do Terço”, “Páteo da Capela” e “Páteo de São Francisco das Chagas”. No centro da região existia um chafariz, demolido quando a rede de água e esgoto foi instalada. Mas até hoje ali está o antigo bebedouro para animais, de meados do século XVIII, construído com o pedestal de pedra e uma bacia em ferro, onde os tropeiros e fazendeiros costumavam dar de beber a seus cavalos e mulas.

 

CASA DA MEMÓRIA

Inaugurada em 1981, é formada por duas edificações. Uma delas é a Casa Piekarz, unidade histórica construída em 1910, onde estão acervos históricos e culturais, biblioteca especializada na história do Paraná, acervo bibliográfico e audiovisual. Hoje abriga a Diretoria de Patrimônio Cultural da Fundação da Fundação Cultural. Tel. (41) 3321-3236.

 

PRAÇA GARIBALDI

1

Antes de ser inaugurada, em 1946, com o nome de Praça Garibaldi, era Praça Dr. Faria Sobrinho e, mais tarde, Praça do Rosário. Abriga construções importantes, galerias de arte, lojas de antiguidades, de artesanato, e a Fonte da Memória, escultura de uma cabeça de cavalo instalada em 1995, feita em bronze pelo artista plástico Ricardo Tod para recordar a época em que os imigrantes e tropeiros davam água aos animais que puxavam suas carroças. Aos domingos acontece, nesta praça e adjacências, a Feira de Arte e Artesanato.

 

RUÍNAS DE SÃO FRANCISCO

Largo - 4

Remanescentes de uma construção inacabada que seria a Igreja de São Francisco de Paula. Em 1811, a capela-mor e a sacristia ficaram prontas, contudo, em 1860, parte das suas pedras foram retirada para reformas na igreja matriz. É um local envolto em mistérios e lendas, uma das quais relata a existência de um tesouro ali enterrado, do pirata Zulmiro. Existem relatos, não confirmados, de que foram construídos túneis ligando as ruínas a outros pontos de Curitiba. Fechadas com grades para protegê-las da depredação e do mau uso, juntamente há um anfiteatro ao ar livre e uma arquibancada. Debaixo da arquibancada foi construída uma passarela coberta em forma de arcos, chamada de Arcadas, onde estão instaladas galerias de arte.

 

MEMORIAL DE CURITIBA

Largo - 1

Inaugurado em 15 de agosto de 1996, o prédio em forma estilizada de pinheiro, árvore símbolo do Paraná, possui cinco mil metros quadrados e estrutura de ferro, com as paredes laterais e cobertura de vidro laminado. Possui quatro pavimentos e um terraço panorâmico. É um espaço dedicado às artes, folclore, informações e memória. Estão expostas peças artísticas como, por exemplo, o córrego “Rio de Pinhões”, do escultor Elvo Benito Damo, cujo leito é revestido de pinhas e pinhões. Em cima do local destinado à apresentações musicais, existe um mapa histórico-geográfico, em azulejos, executado por Poty Lazarotto e um painel representando gralhas-azuis. Há a Capela da Fundação, com altares restaurados e uma imagem de Nossa Senhora da Luz, e ainda o livro da fundação de Curitiba, expostos num espaço especialmente desenhado para abrigar peças do início da história curitibana. Tel. (41) 3321-3313

 

MUSEU PARANAENSE

Fundado em 1876, o Museu Paranaense foi o primeiro museu do Paraná e o terceiro do Brasil. Possui um acervo com cerca de 300 mil peças e documentos. São peças etnográficas de origem indígena de várias partes do Brasil, peças arqueológicas, mapas do Brasil-Colônia, peças históricas das antigas capitanias do sul do País e obras de arte. Este Museu já teve abrigo em várias sedes desde sua fundação. Em 2003 foi instalado neste prédio, construído nos anos 1920 e que já foi, também, Palácio do Governo e sede do Tribunal Regional Eleitoral. Para visitar fique atento: de terça a sexta, das 9h30 às 17h30, sábado e domingo, das 11h às 15h. Tel. (41) 3304 3300.

 

MESQUITA

Largo - 7

A mesquita de Al Imam Ali Ibn Abi Tálib, templo religioso dos mulçumanos em Curitiba, foi inaugurado no ano de 1972. Com característica do estilo arquitetônico islâmico, possui uma cúpula central tendo ao seu lado duas torres. Seguindo as prescrições religiosas, a sua construção foi orientada em direção à cidade de Meca. O local conta com escritórios, bibliotecas, anfiteatros além de um belíssimo jardim. O local está aberto para visitas mediante contato prévio pelo telefone: (41) 3222-4515.

 

IGREJA DA ORDEM

Sem título

A Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas, conhecida como Igreja da Ordem, foi construída em 1737 e é a mais antiga de Curitiba. Originalmente, era a Igreja de Nossa Senhora do Terço. O nome atual foi dado com a chegada da Ordem de São Francisco em Curitiba, em 1746. O nome Largo da Ordem foi sendo incorporado por causa desta edificação, que já teve um convento anexo,  passou por desabamento e serviu de paróquia na chegada dos colonos poloneses. Em 1880, com a visita do imperador D. Pedro II, foi feita uma restauração definitiva, com a conclusão da torre e doação dos sinos pelos senhores da erva-mate. A igreja era frequentada pelos imigrantes alemães nessa época, sendo os ofícios celebrados no seu idioma até 1937. Tantas reformas descaracterizaram sua arquitetura, originalmente colonial. Tombada em 1965, foi novamente restaurada no período de 1978/80. Anexo à igreja está o Museu de Arte Sacra, que desde 1981 é um espaço definitivo para o museu da Arquidiocese de Curitiba. Possui relíquias das principais igrejas de Curitiba, num acervo com mais de 800 peças.

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