Quando usar o Cross Link no tratamento do ceratocone

Procedimento consiste no uso de radiação ultravioleta associada à riboflavina, e é adotado com objetivo de aumentar a rigidez biomecânica da córnea

 

O ceratocone é uma doença que provoca alterações significativas na córnea, tornando-a mais fina e cônica. Os sintomas relatados pelos pacientes são de dificuldade para ler ou dirigir, e ainda a percepção de múltiplas imagens fantasmas, conhecida como poliopia monocular. Apesar de se tratar de uma doença delicada, os pacientes contam hoje com diversos recursos para tratar ou conter sua evolução.

Segundo a médica oftalmologista Tania Schaefer, da Clínica Schaefer, de Curitiba, em alguns casos, a indicação de óculos ou de lentes de contato já é adequada para compensar o problema. Para outros pacientes o implante de Anéis Intraestromais pode se tornar uma alternativa viável de terapia. “Há também um outro método cirúrgico que vem se mostrando bastante promissor no tratamento do ceratocone podendo até evitar sua evolução: é o Cross Link”, diz a médica.

Procedimento que consiste no uso de radiação ultravioleta associada à uma substância chamada riboflavina, o Cross Link é adotado com objetivo de aumentar a rigidez biomecânica da córnea. “Esse endurecimento promovido pelo Cross Link tem sido eficiente para impedir a evolução do ceratocone em muitos pacientes”, conta a oftalmologista. A indicação clássica é para aqueles pacientes que apresentam ceratocone com progressão documentada, ou seja, casos em que há um acompanhamento da doença por cerca de um ano, com evolução topográfica do ceratocone.

Ultimamente tem-se indicado no diagnóstico em casos de doença precoce (abaixo dos 20 anos), em ectasias pós cirurgia refrativa e em degeneração marginal pelúcida, pois a chance de prognóstico ruim é muito grande nesses casos. Resultados clínicos demonstram que o Cross Link permite a estabilização mecânica da córnea, principalmente em casos de ceratocone grau I a III, sendo menos eficaz em casos mais severos. 

Ele age diminuindo os processos inflamatórios de afinamento corneano e reduz a possibilidade de progressão da doença a longo prazo. Não é indicado aos pacientes com córneas muito finas ou com cicatrizes. “Os resultados de estabilização do ceratocone, com consequente melhora da acuidade visual, também dependem de acompanhamento do médico oftalmologista”, esclarece a profissional.
 

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