Estar só é diferente de solidão

Por Monique Negrão

 

A gente aprende desde que nasce que ficar só não é uma coisa boa. Antropologia à parte, não parece mesmo ser bom. Mas o que é estar só?

O mundo tá tão cheio de gente que os espaços parecem ter diminuído. Todo mundo vive espremido. Tem hora que parece sufocante. Tudo que você mais quer é chegar em casa, ou em qualquer outro lugar, que tenha espaço e privacidade. Mas depois que respira um pouco, se sente solitário. E isso acontece porque estar dentro de uma sala, um shopping, um parque, um ônibus lotado, impede que você esteja só, mas não impede de ser solitário. A solidão independe de contato físico puro e simples. Você pode não namorar, não ter uma quantidade enorme de amigos, nem viver rodeada de gente. Você está apenas só. Mas o contrário acontece com freqüência. Milhões de festas e pessoas e uma solidão enorme que de tão grande acomodaria cinco vezes a quantidade de gente absurda que cabe dentro de um ônibus às seis horas da tarde.

Ficar só é um estado físico. Solidão é psíquico, tanto faz o que tem à sua volta.

Se rodeie de gente que enche a tua casa da alma, mesmo quando não está por perto. De amigos que depois que se vão, ainda deixam a presença de espírito perambulando à sua volta.

Aprenda a ficar só, mas nunca solitário.

_____
* Monique Negrão é antropóloga, blogueira e foi colunista do site da revista Capricho
www.sorveteriaa.wordpress.com

(Visited 107 times, 1 visits today)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *