As quatro estações de um ser humano

Por Monique Negrão

Morrer nem sempre é uma coisa ruim. Perder nem sempre é uma coisa ruim. Mudar nem sempre é uma coisa ruim.

As pessoas costumam dizer “você mudou…” em alguns momentos como se isso fosse algo ruim. Mas não é. A gente nasce, vive uma vida cheia de desafios para continuar igual? Prefiro acreditar que não. Prefiro acreditar que a gente tem quatro estações.  Prefiro acreditar que ninguém é feito só de um comportamento, e diariamente eu vejo que isso é verdade. Todo mundo tem algum traço característico de comportamento, que define a personalidade, mas comportamento é só um pedacinho da sua personalidade saindo pelos seus poros vez ou outra. Mas em todos momentos, você é apenas você. Nada mais e nada menos.

Na sua primavera você está confiante, exalando coisas boas para todos os lados. E tudo é colorido, e tudo é possível e bonito. Você decide viver a vida a todo vapor, e o verão se instala por cada célula do teu corpo. Quer colocar em prática todos os seus desejos e planos.  Mas, eventualmente, teu café vai queimar tua língua. Você vai se atrasar. O seu cabelo vai acordar de mau humor com você, o seu chefe vai ser um cretino, um amigo vai te decepcionar, você vai desistir porque vai perceber que certas coisas não valem a pena, e então você é outono. Você deixa morrer algumas coisas lá dentro, para que possa seguir em frente, para que as coisas se renovem. Mas nem sempre são coisas boas que morrem. Pode ser um amor que morre na UTI dos sentimentos quando deixa de ser alimentado mecanicamente. Mas pode também ser um medo que é nutrido diariamente e que te impede de fazer coisas fantásticas, e então você deixa ele morrer. Uma outra hora, você perde uma mania irritante, e fica confirmado que perder nem sempre é ruim.  E você passa a ser inverno. Quando guarda para você suas novas inspirações e desejos secretos, na esperança de que na hora certa, possa dar vida e cor a todos eles quando finalmente se tornar primavera novamente.

Deixe suas flores desabrocharem, murcharem, morrerem e nascerem quantas vezes for necessário.

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* Monique Negrão é antropóloga, blogueira e foi colunista do site da revista Capricho
www.sorveteriaa.wordpress.com

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